Édipo Rei de Sófocles, em cartaz até 6 de setembro no Auditório do Masp, merece aplausos (PARTE FINAL)
- Revista de Turismo PB

- há 22 horas
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A encenação de “Édipo”, pelo pulso de Clara Carvalho, refaz o mito grego sob a ótica da peça moderna do dramaturgo inglês Robert Icke. A montagem transforma a tragédia de Sófocles em um tenso thriller político contemporâneo, situando a história na noite de uma apuração eleitoral.
A chave do espetáculo está em deslocar a questão do “destino divino” para a responsabilidade pública, a superexposição da intimidade e a busca obsessiva pela verdade em tempos de extrema polarização.
Análise do Elenco e Atuações
O dinamismo do espetáculo sustenta-se nas atuações do elenco afinado, que opera no tom do naturalismo sob pressão psicológica constante.
Sérgio Mastropasqua encarna Édipo não como um rei trágico distanciado pela solenidade, mas como um candidato político contemporâneo — pragmático, articulado e visceralmente confiante em sua integridade.
Dinâmica cênica: O ator desenha uma curva dramática precisa: começa com o domínio magnético da oratória e desmorona gradativamente à medida que as revelações do passado vêm à tona. Sua interpretação destaca a hibridez entre a ganância pelo poder e o desespero de um homem confrontado com a própria ruína moral.
Clarisse Abujamra, a Jocasta, longe dos clichês de mãe/esposa passiva, é uma figura política ativa, sofisticada e de postura firme no ambiente de bastidores.
Dinâmica cênica: A Diretora constrói um contraponto sóbrio para o colapso de Édipo. A cena em que ela percebe a terrível verdade antes de Édipo é o ponto alto de sua atuação: a atriz transita da tentativa desesperada de proteger o marido à desintegração interna velada, sem recorrer ao histrionismo.
Rodrigo Scarpelli, o Creonte, surge como o estrategista pragmático de bastidor, articulando com precisão os limites entre lealdade familiar e interesses do Estado.
Dinâmica cênica: Scarpelli imprime uma tensão contida nas interações diretas com Mastropasqua. O embate entre os dois atores expõe a paranoia do poder, onde cada palavra dita carrega duplo sentido e intenção política.
Direção de Atores e Unidade Cênica
Diálogos de ritmo ágil: A direção de Clara impõe aos atores uma embocadura rápida e sobreposta, simulação precisa das conversas de gabinete em momentos de crise.
Uso da intimidade x espetáculo: O elenco explora a presença constante de microfones e telas no cenário. Os atores atuam simultaneamente para a plateia física e para a lente das câmeras em cena, transmitindo a sensação de que a vida privada dos personagens está sendo devorada pela esfera pública.
A linguagem plástica e visual da montagem de “Édipo” (com adaptação de Robert Icke e direção de Clara Carvalho no Auditório do MASP) é a engrenagem fundamental para deslocar a tragédia grega clássica para um thriller político do século XXI.
A encenação abandona as colunas de Tebas e adota a estética crua de um comitê eleitoral na noite da apuração das urnas, onde a iluminação, o cenário e o audiovisual funcionam como dispositivos de opressão e vigilância.

1. Cenografia: O Gabinete de Cristal e Vidro
A cenografia (concebida mantendo o rigor estético do Grupo Tapa) transforma o palco do Auditório do MASP em um ambiente corporativo e político hipercontemporâneo.
Arquitetura da Transparência: O espaço é dominado por linhas retas, mesas de reunião, telas, divisórias e superfícies espelhadas ou translúcidas. Essa escolha espacial cria uma ironia central: enquanto os personagens clamam por “transparência política”, o espaço claustrofóbico revela que não há onde se esconder.
Espaço de Confinamento: À medida que o tempo avança (marcado em contagem regressiva para o resultado da eleição), o cenário transmite uma sensação de encurralamento. A disposição do mobiliário restringe os movimentos dos atores, forçando embates frontais e de extrema proximidade física. O estouro das bexigas soa cômico.
A contrarregra peca por ser excessiva.
1. Iluminação: A Luz Crítica da Verdade
A iluminação desenha a atmosfera psicológica da peça, abandonando o lirismo para adotar um tom funcional, quase clínico.
Estética de Escritório e TV: Prevalecem as luzes brancas e frias, simulando lâmpadas fluorescentes de bastidores políticos e refletores de estúdio de televisão. Essa luz sem sombras expõe as rugas, o suor e as microexpressões dos atores.
Foco de Tensão: Nos momentos de desvelamento da verdade e confronto íntimo (como as revelações entre Édipo e Jocasta), a iluminação se fecha em focos pontuais e contrastantes, isolando os personagens da agitação do comitê ao redor e criando ilhas de intimidade dolorosa. Há excesso.
1. Recursos Audiovisuais: A Vigilância e a Espetacularização
O uso de mídias em cena é o motor que atualiza o conceito de “Coro Grego” e de “Destino Inevitável”.
As Câmeras em Tempo Real: Operadores de câmera circulam pelo palco captando close-ups dos rostos dos atores, projetando-os instantaneamente em monitores e painéis dispostos no cenário. Isso exige do elenco uma interpretação hiper-realista, onde o menor tremor facial é amplificado.
O Relógio Digital: A presença de uma contagem regressiva contínua em tela gera um pulso de urgência dramática (tik-tok constante), lembrando ao público e aos personagens que o tempo da revelação e da ruína é inexorável.
O “Coro” Mediático: Na tragédia original, o Coro representava os cidadãos de Tebas; na montagem contemporânea, o público/povo está representado através da imprensa, dos feeds de mídia e dos microfones ligados. A intimidade da família de Édipo é devorada e transmitida em tempo real para a opinião pública.
Sobra à plateia ovacionar com palmas os atores pelas sua interpretações magistrais!
IVAN LEYRAUD MONIZ RIBEIRO COELHO DE ANDRADA DE ORLEANS E BRAGANÇA, JORNALISTA E EMPRESÁRIO DAS ACADEMIAS WEMOVELT INTELIGENTES GRATUITAS 24 HORAS DISPONIBILIZADAS À POPULAÇÃO.
Ivan Leyraud
É Jornalista, colaborador da Revista de Turismo da Paraíba, Presidente da Federação Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Turismo do Estado de São Paulo e Diretor Financeiro da FEBTUR Nacional




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